A boa ergonomia em um ambiente de trabalho é tão vital quanto o ar que respiramos
Você pode não perceber, mas a ergonomia, em seu ambiente de trabalho, é tão vital quanto o ar que respira. Sem um ambiente saudável e confortável, você provavelmente irá produzir menos, sentir dores musculoesqueléticas e, nos casos mais graves, desenvolver alguma doença como, por exemplo, uma LER (Lesão por Esforço Repetitivo). Ainda mais em uma época onde passamos muitas horas em frente a um computador, em pé ou sentados atrás de mesas. As chamadas doenças ocupacionais ou relacionadas ao trabalho, sempre acompanharam o homem desde os tempos mais remotos. Porém, o problema se tornou mais abrangente e grave com o advento da revolução industrial, em meados do Século XVIII, sobretudo na Inglaterra, o berço dessas mudanças.
Lá, milhões de trabalhadores trocaram a vida relativamente confortável no campo por uma Londres poluída, suja, tomada pela fumaça que vinha das chaminés das fábricas e das casas. Nessa época, um homem chegava a cumprir jornadas de 80 horas semanais em fábricas insalubres, além de serem obrigados a viver em cortiços fétidos. Não demorou muito para que se registrassem as primeiras doenças ocupacionais, causadas por ambientes ergonomicamente condenáveis e pela má postura dos operários. Nessa época era pouco comum a preocupação dos empresários com a segurança de seus colaboradores. Infelizmente, essa cultura sobreviveu até os dias de hoje e no Brasil, assim como em outras nações em desenvolvimento, basta um olhar mais atento para ver o quanto ainda temos que melhorar nessa questão.
Tornou-se comum, principalmente na cidade de São Paulo, os flagrantes das blitze do Ministério do Trabalho, encontrando paraguaios, haitianos, venezuelanos e peruanos trabalhando em condições análogas à escravidão. Muitos desses imigrantes, atraídos em seus respectivos países, por falsas promessas, chegam a trabalhar 12, 14 horas por dia, por míseros trocados. Isso equivale às mesmas 80 horas semanais que um inglês trabalhava nos primórdios da revolução industrial. O que o pouca gente percebe é que além dos transtornos físicos, psicológicos e econômicos, essas pessoas, certamente, irão desenvolver algum tipo de doença ocupacional por terem cumprido jornadas subumanas de trabalho. Provavelmente estarão inválidas antes dos 40 anos.
Todavia, de uns tempos para cá, parece que a luz do fim do túnel está ficando mais próxima. Graças à disseminação da saúde ocupacional e a profissionais como fisioterapeutas e médicos do trabalho, muitos locais de trabalho estão sofrendo modificações extremas visando, principalmente, o bem estar do trabalhador. A mentalidade do empresariado brasileiro, aos poucos, também se dá conta de que o trabalho em um ambiente mais saudável, resulta em maior produção, aumento dos lucros, redução das faltas dos colaboradores e ainda se cria um local mais favorável ao trabalho em equipe. Sendo assim, investir em saúde ocupacional, como ginástica laboral ou melhoria ergométrica no ambiente de trabalho, rapidamente resultará em aumento de lucratividade. E qual empresário não sonha com isso?